A Visa está a testar uma nova arquitectura para pagamentos transfronteiriços na República Democrática do Congo, o projecto utiliza stablecoins para liquidar, nos bastidores, carregamentos de carteiras móveis M-Pesa. A iniciativa junta a Visa, a M-Pesa Africa e a Onafriq, empresa de infra-estrutura de pagamentos transfronteiriços. O teste utiliza a solução Visa Pay, que funciona através de uma ligação por API à infra-estrutura da Onafriq.
Para o utilizador, a experiência praticamente não muda a pessoa continua a carregar a sua carteira M-Pesa normalmente. A diferença acontece na camada de liquidação, a Visa utiliza stablecoins para processar a liquidação da transacção nos bastidores.
A stablecoin fica escondida do utilizador
Este é provavelmente o aspecto mais importante do projecto, a Visa não está a pedir ao consumidor que compre uma stablecoin, também não está a transformar a carteira M-Pesa numa carteira de criptoactivos, o utilizador continua a utilizar moeda e uma aplicação que já conhece.
A blockchain aparece numa camada diferente da experiência, quando o cliente efectua o carregamento da carteira, a liquidação entre os participantes utiliza stablecoins.
Esse desenho separa a experiência de pagamento da tecnologia utilizada para liquidar o dinheiro, é uma distinção cada vez mais importante no desenvolvimento das infra-estruturas financeiras. A tecnologia blockchain não precisa de ser apresentada ao consumidor para produzir efeitos no sistema financeiro, pode funcionar simplesmente como uma camada de liquidação.
Visa Pay funciona como uma ponte
A Visa Pay foi desenhada como uma plataforma de Payments-as-a-Service, a Visa lançou a solução na República Democrática do Congo através de uma integração por API com a Onafriq. O projecto actual utiliza essa infra-estrutura para introduzir stablecoins na liquidação de transacções relacionadas com o M-Pesa.
Por que a RDC?
A República Democrática do Congo apresenta características que tornam o mercado relevante para este tipo de experiência, segundo dados citados pela FinTech Futures, apenas cerca de 30% da população adulta do país tinha acesso a serviços financeiros formais, ao mesmo tempo, o mobile money tornou-se uma ferramenta importante para ampliar o acesso a serviços financeiros.
Isto cria uma combinação interessante, existe uma população com acesso limitado ao sistema financeiro tradicional, existe uma infra-estrutura de mobile money com grande alcance e existe uma necessidade de melhorar os pagamentos internacionais, a stablecoin pode funcionar entre esses dois mundos.



