A Revolução do M-Pesa: quando o telemóvel virou carteira e o dinheiro ganhou velocidade

Lukeya Santos
Leitura de 3 min

Enquanto nós ainda estamos a adaptar-nos cada vez mais aos pagamentos digitais, no Quénia eles já fazem parte do quotidiano há muitos anos. E grande parte dessa revolução tem nome: M-Pesa.

Lançado em 2007 pela Safaricom, o M-Pesa começou como uma solução para facilitar pagamentos de microcrédito. Só que aconteceu algo interessante: as pessoas começaram a usar o serviço para enviar dinheiro umas às outras.

A empresa percebeu rapidamente que tinha encontrado algo muito maior. Hoje, através do telemóvel, é possível fazer pagamentos, transferir dinheiro e levantar numerário através de uma enorme rede de agentes.

Moeda, política monetária e velocidade de circulação

Mas, a moeda local não é o Shilling?

SIm, aqui é preciso separar duas coisas. O Shilling queniano (KES) é a moeda. A política monetária é responsabilidade do Central Bank of Kenya, cujo mandato inclui a estabilidade de preços e a estabilidade do valor do shilling.

E numa economia aberta como a queniana, o câmbio interessa muito. Chá, café e horticultura são importantes fontes de divisas para o país. E não podemos esquecer que uma coisa é ter uma moeda, outra é conseguir fazer essa moeda circular rapidamente pela economia.

Impactos no terreno: a experiência nos vilarejos

Dois factos que achei interessante enquanto estive em vilarejos como Chuka, Mwea, Ruiru/Buuri e Laikipia:

 • Inclusão financeira brutal: Milhões de pessoas que nunca tinham posto os pés num banco passaram a ter acesso a crédito, poupança e pagamentos seguros.

• Agilidade no comércio: Reduziu-se o risco de andar com dinheiro vivo na rua e a economia ganhou uma velocidade indescritível.

E a realidade angolana?

Em Angola também estamos a caminhar de igual modo?

Digo que sim. Temos o MULTICAIXA Express lançado em 2019, transferências digitais e, mais recentemente, soluções como o KWiK para transferências instantâneas.

Então talvez a grande lição do Kenya não seja simplesmente: “Vamos copiar o M-Pesa.”

É perceber que uma tecnologia só é realmente revolucionária quando as pessoas conseguem incorporá-la na vida quotidiana. O M-Pesa nasceu para resolver um problema local no Kenya e acabou por se tornar uma das histórias mais conhecidas de inclusão financeira em África e no Mundo.

Às vezes, a inovação não começa num laboratório em Silicon Valley. Começa quando alguém olha para um problema simples do seu país e pensa: Tem de haver uma maneira melhor de fazer isto.

Kidogo kidogo, hujaza kibaba. 🇰🇪

(Pouco a pouco, enche-se a medida.)

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Financeira e gestora de projectos, com percurso em desenvolvimento sustentável, finanças verdes e ESG. Como colunista, analiso como a inovação económica e tecnológica está a moldar a sustentabilidade corporativa, o impacto social e o futuro do financiamento em Angola e nos mercados emergentes.