Mastercard anunciou novos serviços de confiança e inteligência para reforçar a segurança dos pagamentos iniciados por agentes de inteligência artificial (IA). A iniciativa amplia o programa Agent Pay e procura ajudar bancos e comerciantes a compreender melhor as operações conduzidas por sistemas autónomos.
O anúncio foi feito a 30 de Setembro de 2026. A empresa pretende combinar informação sobre identidade, intenção, comportamento e fraude para apoiar as decisões de autorização das transacções. A abordagem procura reduzir bloqueios desnecessários e facilitar compras legítimas iniciadas por agentes digitais.
A novidade responde a uma transformação no comércio electrónico. Os agentes de IA começam a ultrapassar a função de recomendar produtos e podem passar a pesquisar opções, comparar preços e concluir compras em nome dos utilizadores.
Este cenário cria uma nova exigência para o sector financeiro: os sistemas de pagamento precisam de reconhecer não apenas o titular da conta, mas também o agente que iniciou a operação e os limites da autorização concedida.
Agent Pay ganha uma nova camada de inteligência
O Agent Pay é o programa da Mastercard dedicado aos pagamentos iniciados por agentes de inteligência artificial. Com os novos serviços, a empresa pretende acrescentar informação contextual às decisões tomadas durante o processamento das transacções.
A estrutura de confiança do programa assenta em cinco componentes: identidade, intenção, controlos, execução e inteligência. Em conjunto, estes elementos procuram estabelecer condições para que agentes digitais actuem em nome dos consumidores de forma verificável e segura.
A identidade permite compreender qual agente participa na operação. A intenção ajuda a avaliar o que o utilizador autorizou. Os controlos definem os limites dessa autorização, enquanto a execução corresponde à realização da operação. A inteligência acrescenta sinais para avaliar o contexto e os riscos.
Esta abordagem torna-se importante quando uma única instrução pode originar várias transacções. Um utilizador pode pedir a um assistente digital que organize uma viagem, incluindo voos, alojamento e transporte.
O agente pode então efectuar compras em diferentes comerciantes. Para um sistema antifraude convencional, várias operações consecutivas em estabelecimentos distintos podem parecer suspeitas. Com informação contextual adicional, o banco poderá avaliar se as compras correspondem à intenção legítima do cliente.
O objectivo não consiste em aprovar automaticamente todas as transacções iniciadas por IA. A Mastercard procura melhorar a qualidade da decisão, permitindo aprovar operações legítimas e encaminhar situações duvidosas para verificações adicionais.
Uma pontuação para identificar transacções iniciadas por IA
A primeira funcionalidade entrou em fase de testes nos Estados Unidos. Trata-se de uma pontuação probabilística que indica a possibilidade de uma transacção ter sido iniciada por um agente de inteligência artificial.
A pontuação pretende dar aos bancos emissores mais informação para avaliar compras que, sem contexto adicional, poderiam activar mecanismos antifraude.
A Mastercard prevê enriquecer esta análise ao longo do tempo. Entre os sinais que pretende incorporar estão os padrões de comportamento, o risco associado ao comerciante, os padrões transaccionais, o risco das credenciais e as características da actividade do consumidor.



