EMIS usa inteligência artificial para reforçar a segurança dos pagamentos digitais em Angola

Dioko
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A Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) está a reforçar a protecção das infra-estruturas de pagamentos em Angola através da utilização de inteligência artificial (IA) na detecção de ameaças informáticas. A iniciativa procura melhorar a capacidade de identificar riscos, acompanhar actividades suspeitas e responder a possíveis ataques contra os sistemas financeiros.

A informação foi avançada por Eduardo Bettencourt, administrador executivo da EMIS, à margem da quinta edição do CyberSecur Summit, realizada em Luanda, a 12 de Outubro de 2026. Segundo o responsável, a instituição monitoriza centenas de milhares de dispositivos e mantém equipas especializadas na prevenção e resposta a incidentes cibernéticos.

Menos Fios

A EMIS criou, em 2024, um Centro de Operações de Segurança (SOC), que utiliza ferramentas baseadas em inteligência artificial para acompanhar ameaças e reforçar a protecção dos seus sistemas. Entre as capacidades mencionadas pelo responsável está a identificação de cartões bancários que possam estar expostos na Internet ou na dark web.

A iniciativa demonstra a crescente importância da cibersegurança para uma economia que depende cada vez mais de cartões, aplicações móveis, transferências electrónicas e pagamentos instantâneos.

Inteligência artificial na linha da frente da cibersegurança

A inteligência artificial permite analisar grandes volumes de informação e identificar padrões que podem indicar comportamentos suspeitos. Nas operações de cibersegurança, estas capacidades podem ajudar as equipas a detectar sinais de ataque, investigar alertas e estabelecer prioridades de resposta.

No caso da EMIS, a tecnologia integra os mecanismos de monitorização da infra-estrutura que suporta vários serviços de pagamento em Angola. A instituição gere sistemas associados à Rede MULTICAIXA, ao MULTICAIXA Express e às transferências instantâneas KWiK, entre outras soluções.

A utilização de ferramentas inteligentes pode ajudar a identificar indicadores de risco mais rapidamente. Contudo, a eficácia depende da qualidade dos dados, da configuração dos sistemas e da capacidade das equipas para interpretar os alertas.

A inteligência artificial não substitui, por si só, os mecanismos tradicionais de segurança. A protecção exige controlos de acesso, actualizações de software, gestão de vulnerabilidades, monitorização contínua e planos de resposta a incidentes.

A EMIS reconhece esta necessidade através de uma abordagem que combina tecnologia, processos e recursos humanos. Eduardo Bettencourt destacou que a instituição procura integrar a segurança desde a concepção das soluções tecnológicas, através do princípio security by design. Este princípio procura incorporar requisitos de segurança durante o desenvolvimento de sistemas, em vez de os acrescentar apenas depois da implementação. A instituição também aplica a abordagem zero trust, que exige a verificação contínua dos acessos e não presume confiança automática com base na localização ou na rede utilizada.

Monitorização de cartões expostos na Internet

Uma das capacidades destacadas pela EMIS consiste na identificação de cartões bancários que possam estar expostos na Internet ou na dark web.

A exposição de dados de cartões representa um risco para os titulares e para as instituições financeiras. Criminosos podem obter informações através de páginas fraudulentas, ataques informáticos, aplicações comprometidas ou bases de dados divulgadas ilegalmente.

Quando os dados ficam disponíveis para terceiros, estes podem tentar utilizá-los em operações não autorizadas. A identificação precoce de uma exposição pode ajudar as entidades responsáveis a avaliar o risco e a adoptar medidas de protecção.

A monitorização permite procurar indícios de comprometimento e apoiar a investigação de potenciais incidentes. No entanto, a presença de dados num determinado espaço digital não prova, por si só, que já ocorreu uma fraude.

A resposta exige uma avaliação do contexto, a confirmação dos indicadores relevantes e, quando necessário, a adopção de medidas como o bloqueio preventivo de cartões, a substituição de credenciais ou o reforço da autenticação.

A EMIS não divulgou números sobre os ataques detectados, os cartões identificados ou as perdas evitadas. Por isso, não é possível quantificar publicamente o impacto da utilização da inteligência artificial na redução da fraude.

Ainda assim, a capacidade de monitorizar fontes de risco e reagir a exposições constitui uma componente relevante da defesa dos sistemas de pagamento.

A segurança como condição para a confiança digital

A aposta da EMIS na inteligência artificial mostra como a cibersegurança está a evoluir em paralelo com os pagamentos digitais em Angola.

O Centro de Operações de Segurança, criado em 2024, integra ferramentas de IA na monitorização de ameaças. A instituição procura identificar riscos, proteger os seus sistemas e manter equipas preparadas para responder a incidentes.

O desafio seguinte consiste em transformar estas capacidades em resultados mensuráveis, mantendo a protecção de dados, a continuidade operacional e a confiança dos utilizadores.

Num sistema financeiro cada vez mais digital, a inovação não se mede apenas pela rapidez ou pela conveniência das transacções. Mede-se também pela capacidade de manter os serviços disponíveis, proteger os clientes e responder eficazmente quando surgem ameaças.

A inteligência artificial pode reforçar essa capacidade, mas os resultados dependerão da qualidade da implementação, da supervisão humana e da preparação das organizações.

Para Angola, consolidar a confiança nos pagamentos digitais exige investimento contínuo em tecnologia, competências e cooperação. A segurança não é um complemento da transformação digital: é uma das condições para a sua sustentabilidade.

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