Etiópia liga mobile money ao PAPSS e aproxima carteiras africanas

Dioko
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A Etiópia prepara uma nova etapa na integração dos seus pagamentos digitais com o mercado africano, o Banco Nacional da Etiópia confirmou planos para ligar carteiras de mobile money ao Pan-African Payment and Settlement System (PAPSS). A integração permitirá, quando estiver operacional, realizar pagamentos transfronteiriços através de carteiras digitais etíopes.

A medida poderá beneficiar empresas, pequenos comerciantes e particulares, também poderá reduzir a dependência de canais tradicionais de pagamentos internacionais. A iniciativa surge num momento de rápida transformação do sistema financeiro digital etíope.

Segundo o Banco Nacional da Etiópia, as contas de mobile money cresceram de 12,2 milhões em 2020 para 139,5 milhões em 2025. O volume anual de transacções também registou um crescimento acelerado, o próximo desafio passa agora por levar essa escala para além das fronteiras nacionais.

Do mobile money ao mercado continental

A ligação ao PAPSS representa uma mudança importante para as carteiras digitais etíopes, até agora, o mobile money funciona sobretudo dentro do mercado nacional. A integração pretende criar uma ligação entre essas carteiras e uma infra-estrutura continental, segundo a nossa fonte, o processo técnico já está em curso.

O Banco Nacional da Etiópia será o agente de liquidação das operações encaminhadas através do PAPSS, ainda não existe, contudo, uma data pública para o lançamento comercial da integração. Isto significa que a possibilidade anunciada ainda não representa uma funcionalidade disponível aos utilizadores, existe uma fase de integração técnica e regulamentar antes da sua entrada efectiva em operação, essa distinção será importante para avaliar os próximos passos.

PAPSS quer ligar os sistemas, não substituir as carteiras

O PAPSS não pretende substituir as plataformas de mobile money, a sua função é criar uma camada de pagamentos e liquidação entre diferentes mercados africanos. O sistema permite que bancos, fintechs e prestadores de serviços de pagamento participem através das respectivas infra-estruturas, os participantes podem utilizar APIs e mensagens baseadas no padrão ISO 20022.

A arquitectura permite que diferentes instituições mantenham os seus próprios sistemas, o PAPSS funciona como uma infra-estrutura de ligação. Esta característica é particularmente importante para o mobile money, uma carteira etíope não precisa de se transformar numa carteira pan-africana, precisa apenas de conseguir comunicar com a infra-estrutura regional.

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