A África francófona tornou-se um dos mercados mais dinâmicos para pagamentos digitais no continente, fintechs e operadores de mobile money levaram milhões de pessoas para serviços financeiros digitais.
Apesar desse avanço, movimentar dinheiro entre plataformas continua difícil em vários mercados. A integração entre países também permanece incompleta. Este paradoxo começa a definir a próxima fase do sector financeiro digital francófono.
O problema já não é apenas acesso
Durante anos, a principal preocupação esteve relacionada com a inclusão financeira, as fintechs concentraram esforços em colocar contas, carteiras digitais e pagamentos móveis nas mãos dos consumidores. esse modelo produziu resultados expressivos.
Na UEMOA, existiam cerca de 248 milhões de contas de moeda electrónica registadas, a região processou mais de 11 mil milhões de transacções de pagamento electrónico em 2024, o desafio começa agora noutra dimensão, os utilizadores querem movimentar dinheiro entre diferentes instituições, as empresas querem aceitar pagamentos de vários países, os comerciantes precisam de receber dinheiro através de diferentes carteiras, a interoperabilidade tornou-se, portanto, uma questão central.
O legado dos sistemas fechados
O crescimento do mobile money ocorreu durante anos através de ecossistemas relativamente fechados. Cada operador desenvolveu a sua própria carteira e rede de utilizadores. Wave, Orange Money, Moov Money e MTN MoMo construíram posições fortes em diferentes mercados.
Esse modelo ajudou a acelerar a adopção, também criou silos tecnológicos, enviar dinheiro entre plataformas diferentes podia exigir processos adicionais ou simplesmente não estar disponível, a fragmentação tornou-se particularmente problemática para empresas que pretendem operar em vários países.
A resposta passa pela interoperabilidade
Os reguladores começaram a atacar directamente esse problema. Na África Ocidental, a BCEAO avançou com a Plataforma Interoperável do Sistema de Pagamento Instantâneo, conhecida como PI-SPI, a plataforma procura ligar bancos, instituições de pagamento e operadores financeiros dentro da UEMOA.
O objectivo consiste em permitir transferências instantâneas entre diferentes participantes, a infraestrutura entrou numa nova fase com o lançamento oficial em Setembro de 2025, a ligação dos participantes tornou-se uma prioridade regulatória para 2026.



