Quase metade dos consumidores da Ásia-Pacífico admite utilizar stablecoins nos próximos cinco anos. Um estudo da Visa mostra, contudo, que o interesse ainda não corresponde à utilização efectiva. A investigação ouviu 14.250 pessoas, entre os 18 e os 65 anos, em 14 mercados da região. A recolha decorreu entre Junho e Julho de 2026, no âmbito do estudo Consumer 360.
Os resultados apontam para uma mudança na percepção destes activos digitais. Os consumidores começam a considerar as stablecoins para compras online, viagens e transferências internacionais. No entanto, persistem dúvidas sobre o seu funcionamento e receios relacionados com fraudes.
Para as empresas de pagamentos, o desafio consiste em transformar essa curiosidade numa utilização regular. A oportunidade não depende apenas da tecnologia, mas também da confiança, da segurança e da integração com os serviços financeiros existentes.
Interesse futuro supera a utilização actual
Segundo a pesquisa da Visa, 46% dos inquiridos afirmam que provavelmente utilizarão stablecoins nos próximos cinco anos. Apenas 16% dizem ter utilizado estes activos nos 12 meses anteriores ao estudo.
A diferença revela uma oportunidade comercial, mas exige uma interpretação cuidadosa. A intenção declarada não garante que os consumidores venham efectivamente a utilizar stablecoins até 2031.
Além disso, os 16% que reportaram utilização recente não representam necessariamente pessoas que pagaram bens ou serviços com estes activos. A categoria pode incluir diferentes actividades relacionadas com stablecoins.
O interesse também varia entre os mercados analisados. O Vietname e a Índia registam a maior intenção declarada de utilização, ambos com 67%. Hong Kong lidera em notoriedade, com 84%, seguido da Índia, com 80%, e da Tailândia, com 77%.
Estes resultados mostram que a adopção não evolui de forma uniforme. Cada mercado apresenta condições próprias de literacia financeira, regulamentação, infra-estrutura digital e confiança nas instituições.
Para os prestadores de serviços financeiros, esta diferença exige estratégias adaptadas. Uma campanha de sensibilização pode funcionar num mercado, enquanto noutro será necessário melhorar primeiro a disponibilidade e a experiência de utilização.
Pagamentos internacionais destacam-se entre os casos de uso
Um dos indicadores mais relevantes para o sector financeiro está relacionado com as transferências transfronteiriças. Cerca de 49% dos inquiridos acreditam que as stablecoins poderão tornar-se uma forma comum de movimentar dinheiro entre países nos próximos cinco anos.
Esta expectativa coloca as stablecoins no debate sobre o futuro das remessas e dos pagamentos internacionais.
Actualmente, uma transferência entre países pode envolver bancos, prestadores de serviços de pagamento, conversões cambiais e diferentes sistemas de liquidação. Cada etapa pode acrescentar custos ou atrasos.
As stablecoins podem permitir a transferência de valor através de redes blockchain. Dependendo da estrutura utilizada, esta abordagem pode acelerar a liquidação e reduzir algumas dependências dos sistemas tradicionais.
A grande contradição: notoriedade sem compreensão
O estudo revela uma diferença significativa entre conhecer as stablecoins e compreender o seu funcionamento. Cerca de 66% dos inquiridos já ouviram falar destes activos, mas apenas 6% demonstram uma compreensão considerada correcta pela Visa.
A investigação identificou ainda concepções erradas sobre a sua utilização. Entre os consumidores que conhecem stablecoins, 49% acreditam que servem apenas para comprar e vender outras criptomoedas. Outros 41% acreditam que as stablecoins aumentam sempre de valor. Esta percepção confunde a estabilidade pretendida com uma garantia de valorização.



