Poupança comunitária chega ao telemóvel com a e-Mola e Banco de Moçambique pede regras claras

Mauro Yange
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Foto: SINAL Multimédia / Pexels

A Speranza apresentou, a 26 de Outubro, em Moçambique, uma plataforma de Poupança Comunitária Digital que prevê integração com a carteira móvel e-Mola. O lançamento oficial está marcado para 31 de Outubro, Dia Mundial da Poupança, e o Banco de Moçambique aproveitou a apresentação para lembrar as regras que estas soluções terão de cumprir.

A iniciativa leva para o telemóvel os grupos de poupança comunitária, uma prática muito comum em Moçambique e noutros países africanos, em que os membros juntam contribuições regulares e concedem empréstimos entre si. A Máximo Seguros participa na componente de protecção do crédito, que pode incluir coberturas para morte ou invalidez.

O aviso do regulador

Amélia Sengo, representante do Banco de Moçambique, deixou claro que testar uma solução no ambiente experimental do regulador não equivale a uma licença.

“A aprovação de uma solução no Sandbox Regulatório não significa isenção nem autorização indefinida do Banco de Moçambique”, afirmou.

Entre os pontos de atenção do banco central estão a protecção dos fundos, a identificação da entidade que guarda o dinheiro, a autorização das operações, a reconciliação das contribuições, a confirmação de saldos pelos participantes, o tratamento de dados pessoais e os mecanismos de reclamação. O regulador defende “regras claras, responsabilidades bem definidas, mecanismos de controlo eficazes e cumprimento do quadro legal aplicável”.

A plataforma permite ainda verificar se um participante tem dívidas noutros grupos e envia notificações sobre empréstimos — uma funcionalidade que, segundo a publicação O Económico, exige uso legal, proporcional e transparente dos dados.

Momade Ali Mucusse, secretário-geral da Associação Moçambicana de Seguradoras (AMS), defendeu produtos “simples, acessíveis e ajustados às necessidades das comunidades”.

Um país onde o dinheiro móvel já supera a banca

O contexto ajuda a explicar a aposta. Segundo os indicadores de inclusão financeira do Banco de Moçambique, no segundo trimestre de 2026 havia cerca de 130,9 contas de moeda electrónica por cada 100 adultos, contra 33,8 contas bancárias. A rede de agentes chegava a cerca de 494 955 no final de Junho. O país tem três operadores de moeda electrónica — M-Pesa, e-Mola e M-Kesh.

Para Angola, onde as carteiras móveis e os pagamentos instantâneos ganham utilizadores, o caso moçambicano mostra como produtos de poupança e crédito de base comunitária podem crescer sobre as carteiras digitais — e como o regulador tende a acompanhá-los de perto, sobretudo na guarda dos fundos e na protecção dos dados.

Fontes: O Económico; Banco de Moçambique (via Lusa)

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Colunista, profissional de Merketing e evangelista de startups há quase 15 anos