Binance estima em 6,3 mil milhões de dólares o impacto de incidente de segurança e garante cobrir as perdas

Mauro Yange
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Foto: shutter-speed / Pexels — imagem ilustrativa

A Binance, uma das maiores plataformas de negociação de criptoactivos do mundo, revelou um incidente de segurança com um impacto estimado em cerca de 6,3 mil milhões de dólares. Perto de 3 mil milhões de dólares já foram congelados na blockchain, com o apoio de parceiros, e a empresa garante que vai cobrir todas as perdas.

Segundo o comunicado publicado a 30 de Outubro, a investigação inicial sugere que o incidente “poderá envolver o portátil comprometido de um engenheiro de DevOps”, o que terá permitido ao atacante aceder a um contentor de serviço e submeter levantamentos não autorizados. A Binance afirma não ter encontrado “qualquer indício de fuga de chaves privadas” das carteiras.

Levantamentos suspensos e fundos congelados

Como medidas imediatas, a plataforma suspendeu temporariamente depósitos e levantamentos enquanto decorrem verificações de segurança, revogou a autorização do endereço afectado e accionou as autoridades policiais e parceiros de análise de blockchain para rastrear e recuperar os fundos. O comunicado não indica uma data para a retoma das operações.

Emissoras de stablecoins também agiram. De acordo com o The Hacker News, a Tether congelou mais de 1,567 mil milhões de USDT e a Circle 800 milhões de USDC.

“O atacante não usou simplesmente as permissões de um engenheiro e esta não foi uma única acção de ‘um clique'”, escreveu Richard Teng, co-presidente executivo da Binance, na rede social X.

O maior roubo de sempre no sector

As estimativas variam entre as empresas de análise: a Chainalysis aponta para cerca de 5,91 mil milhões de dólares no momento do roubo e a Elliptic para 6,43 mil milhões. Em qualquer dos casos, o valor supera o ataque à Bybit, de cerca de 1,5 mil milhões de dólares, em Fevereiro de 2025. Algumas destas empresas associam a operação a grupos ligados à Coreia do Norte, o que a Binance não confirmou.

A Binance garante que “os fundos dos utilizadores estão seguros” e que as perdas serão cobertas pelo SAFU, o fundo de protecção que mantém para os utilizadores, e por fundos próprios. A empresa promete divulgar uma análise técnica detalhada no fim da investigação e uma actualização da sua Prova de Reservas depois de concluída a correcção.

E em Angola?

O comunicado da Binance não faz referência a mercados específicos, incluindo Angola. No país, a Lei n.º 3/24, de 10 de Abril, proíbe a mineração de criptomoedas e reserva ao Banco Nacional de Angola (BNA) a emissão de moeda com curso legal. Em 2022, o BNA anunciou que estava a preparar instrumentos legais e regulatórios para os activos virtuais.

Para quem, em Angola, recorre a plataformas internacionais de criptoactivos, o caso reforça cuidados básicos: acompanhar apenas os canais oficiais da plataforma, como pede a própria Binance, e desconfiar de mensagens que, a pretexto do incidente, solicitem dados de acesso ou transferências.

Para bancos, fintechs e emitentes de moeda electrónica, o episódio mostra que um único equipamento de trabalho pode ser a porta de entrada para um ataque de grande escala, num momento em que os pagamentos digitais ganham peso no país.

Fontes: Binance, The Hacker News, Disruption Banking, Expansão e Portal de TI

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Colunista, profissional de Merketing e evangelista de startups há quase 15 anos