Google Wallet chega à Nigéria com quatro bancos, mas pagamentos por aproximação esbarram nos terminais

Mauro Yange
Leitura de 3 min
Foto: kopee15 / Wikimedia Commons (domínio público) — imagem ilustrativa

A Google lançou na quarta-feira, 28 de Outubro, o Google Wallet e o Google Pay na Nigéria, permitindo aos utilizadores de telemóveis Android pagar por aproximação em lojas, bem como em aplicações e na internet, com cartões elegíveis. O lançamento arranca com quatro bancos: FirstBank, Guaranty Trust Bank (GTBank), United Bank for Africa (UBA) e Zenith Bank.

A Nigéria torna-se assim o segundo país africano com o Google Wallet, quatro anos depois da África do Sul, que estreou o serviço com seis bancos.

Mastercard à frente, Verve de fora

Segundo a lista de cartões suportados pela Google, citada pelo Techpoint Africa, a oferta assenta sobretudo em cartões Mastercard de débito, crédito e pré-pagos. O único produto Visa listado é o cartão pré-pago do UBA, embora a Visa tenha afirmado que os seus titulares na Nigéria já podem usar o Google Pay.

A Mastercard levou o serviço ao país em parceria com a Interswitch, que desenvolveu a conectividade com os emissores, a tokenização e o processamento dos pagamentos por aproximação.

Ficam de fora, para já, os cartões Verve, a rede doméstica da Interswitch e a mais usada no país, os cartões AfriGO e os cartões emitidos por fintechs como OPay, Moniepoint, Kuda e PalmPay.

O obstáculo dos terminais

O alcance imediato do serviço depende dos terminais de pagamento (POS) com tecnologia sem contacto (NFC), ainda escassos. Segundo o Techpoint, os pagamentos sem contacto representam uma fracção mínima das transacções no país e cerca de metade dos telemóveis Android nigerianos tem NFC.

Cada pagamento é autenticado por impressão digital, reconhecimento facial ou PIN. O Banco Central da Nigéria fixa limites de 15 mil nairas por transacção e 50 mil nairas por dia para pagamentos sem contacto sem verificação adicional. No comércio electrónico, o Google Pay já estava disponível através da Paystack e da Interswitch.

O que significa para Angola

Em Angola, os pagamentos móveis assentam sobretudo em soluções locais, como o Multicaixa Express, o sistema de pagamentos instantâneos KWiK e as carteiras de operadoras e fintechs, e não em carteiras globais como o Google Wallet ou o Apple Pay.

O caso nigeriano mostra que a chegada destas carteiras depende da adesão dos bancos emissores, das redes de cartões e da modernização do parque de terminais, factores a ter em conta pelo sector angolano numa eventual abertura a soluções internacionais.

Fontes: Techpoint Africa; Google

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Colunista, profissional de Merketing e evangelista de startups há quase 15 anos