Mastercard lança plataforma global com BVNK para ligar moedas tradicionais e stablecoins

Dioko
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A Mastercard anunciou o lançamento da Global Money Platform, uma infra-estrutura financeira que combina os seus serviços internacionais de pagamentos com a tecnologia de stablecoins da BVNK. A iniciativa pretende simplificar a forma como as empresas recebem, guardam, convertem e transferem dinheiro entre moedas tradicionais e activos digitais.

Apresentada a 15 de Outubro de 2026, a plataforma permite que bancos, fintechs e empresas integrem estes serviços nos seus próprios produtos através de uma única interface de programação de aplicações (API). Assim, os participantes podem disponibilizar funcionalidades financeiras sem precisarem de desenvolver separadamente toda a infra-estrutura tecnológica.

O lançamento representa a primeira grande integração comercial das capacidades da Mastercard e da BVNK desde a conclusão da aquisição da empresa de infra-estrutura de stablecoins, em Agosto de 2026. A operação reforça a estratégia da Mastercard de aproximar os sistemas financeiros tradicionais dos mecanismos de transferência de valor baseados em blockchain.

A proposta vai além da simples utilização de criptoactivos para efectuar pagamentos. A plataforma procura oferecer às instituições financeiras e às empresas uma infra-estrutura comum para gerir diferentes formas de dinheiro, incluindo saldos bancários, stablecoins e pagamentos internacionais.

Uma única integração para diferentes formas de dinheiro

A Global Money Platform permite incorporar contas multimoeda nos produtos de bancos, fintechs e empresas. Estas contas podem manter moedas tradicionais e stablecoins, com mecanismos de conversão entre os diferentes saldos.

A infra-estrutura inclui ainda cartões associados a saldos em stablecoins e pagamentos para contas bancárias locais através do Mastercard Move. As empresas podem seleccionar as funcionalidades de que necessitam e acrescentar outros serviços à medida que os seus negócios evoluem.

Este modelo reduz a necessidade de contratar vários fornecedores para executar diferentes etapas de uma operação financeira. Em vez de utilizar uma solução para guardar fundos, outra para converter moedas e uma terceira para efectuar pagamentos internacionais, uma empresa pode integrar estas capacidades através da mesma plataforma.

Segundo a Mastercard, a Global Money Platform está disponível através da BVNK. Entre os primeiros participantes anunciados encontram-se a Nuvei, a Marqeta, a Ontop, a Beem e a Almond FinTech. Estas empresas poderão integrar diferentes funcionalidades de acordo com as necessidades dos seus produtos.

Pagamentos para contas bancárias locais

Um dos elementos centrais da plataforma é a integração com o Mastercard Move, o conjunto de serviços da Mastercard destinado à movimentação internacional de dinheiro. Esta ligação permite utilizar saldos em stablecoins para financiar pagamentos que chegam directamente às contas bancárias locais dos beneficiários. O objectivo consiste em aproximar os mecanismos de transferência de activos digitais dos canais que empresas e particulares já utilizam no sistema financeiro.

A Mastercard afirma que o seu conjunto de serviços de movimentação de dinheiro alcança mais de 17 mil milhões de pontos de acesso. A empresa prevê expandir a cobertura dos pagamentos financiados por stablecoins para mais de 40 moedas e mais de 200 países e territórios em 2027. Estes números representam a cobertura anunciada ou prevista pela empresa, não uma garantia de disponibilidade de todas as funcionalidades em cada mercado.

O que significa para África e Angola

A evolução merece atenção nos mercados africanos, onde as empresas enfrentam diferentes condições de acesso a divisas, pagamentos internacionais e serviços financeiros digitais.

Uma infra-estrutura que liga stablecoins a pagamentos bancários locais pode criar novas possibilidades para fintechs que prestam serviços a empresas exportadoras, plataformas de comércio electrónico e organizações com operações em vários países.

No entanto, a disponibilidade da Global Money Platform não significa que todas as suas funcionalidades estejam automaticamente acessíveis em Angola. A participação dependerá da cobertura comercial, dos parceiros disponíveis e das exigências regulamentares aplicáveis.

Para o mercado angolano, a questão principal consiste em avaliar se soluções desta natureza poderão complementar os sistemas de pagamentos existentes e responder a necessidades concretas das empresas. Os potenciais casos de utilização incluem pagamentos a fornecedores estrangeiros, recebimentos internacionais e gestão de tesouraria.

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