A OPay, plataforma de pagamentos e banca digital nascida na Nigéria, prepara-se para entrar na Bolsa de Nova Iorque (NYSE), com o símbolo OPAY. A oferta pública inicial (IPO) prevê a venda de 16 milhões de acções a um preço entre 19 e 21 dólares, o que poderá render cerca de 320 milhões de dólares e avaliar a empresa em aproximadamente 4,2 mil milhões de dólares.
Segundo a Renaissance Capital, a operação é a única oferta pública inicial agendada para esta semana no mercado norte-americano. O Citi e o Deutsche Bank lideram o sindicato de bancos.
O crédito já rende mais do que os pagamentos
No primeiro semestre de 2026, a OPay registou receitas de 467,1 milhões de dólares, mais do dobro dos 197,5 milhões do período homólogo. O lucro líquido subiu para 90,9 milhões de dólares, face a 21,7 milhões um ano antes. O crédito passou a ser a principal fonte de receitas, ultrapassando os pagamentos.
A plataforma conta com 39,3 milhões de utilizadores activos mensais, mais 57% do que no ano anterior, e 4,6 milhões de mutuários únicos por trimestre na Nigéria. Em 2025, o valor bruto das transacções processadas atingiu 358 mil milhões de dólares, contra 166,2 mil milhões em 2024. A Nigéria gerou 89,5% das receitas do semestre.
De super-app a banco digital
Lançada em 2018 como empresa de pagamentos, a OPay chegou a apostar num modelo de super-app em 2019, com transporte, entrega de refeições e crédito rápido, antes de se concentrar nos serviços financeiros. Entre 2018 e 2021 angariou 570 milhões de dólares em capital de risco, com investidores como o SoftBank e o bilionário chinês Zhou Yahui.
A Stanbic Africa Holdings, do grupo Standard Bank, comprometeu-se a investir até 200 milhões de dólares, com uma participação limitada a 4,99% após a oferta. A parceria, que poderá apoiar a expansão da OPay noutros mercados africanos, ainda não é vinculativa. A empresa obteve também aprovação dos seus órgãos para uma cotação secundária na bolsa nigeriana (NGX), depois da estreia em Nova Iorque.
Um teste para as fintechs africanas
A OPay poderá tornar-se a primeira fintech cotada nos Estados Unidos com uma base de clientes maioritariamente nigeriana. As anteriores entradas de tecnológicas africanas em Wall Street, como a Jumia e a IHS, tiveram resultados mistos, o que faz desta operação um teste ao apetite dos investidores internacionais pelo sector. O peso da OPay no mercado nigeriano já tinha sido destacado pelo FinTechs, quando a aplicação surgiu em 69% dos smartphones analisados no país.
Para mercados como o angolano, onde carteiras móveis e bancos digitais disputam utilizadores, o percurso da OPay ilustra um modelo que tende a ganhar força quando a base de clientes atinge escala: começar pelos pagamentos e crescer através do crédito.
Fontes: Renaissance Capital, Semafor e AllAfrica



