Do Mobile Money à Banca: MTN quer transformar a sua escala num negócio de crédito

Dioko
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Depois de transformar o telemóvel numa ferramenta para enviar e receber dinheiro, pagar serviços e realizar compras, a MTN Group pretende agora aprofundar a sua presença no sector financeiro. A empresa está a analisar a possibilidade de obter licenças bancárias em determinados mercados africanos, numa estratégia que poderá permitir-lhe avançar gradualmente para a concessão de empréstimos a partir do seu próprio balanço.

A informação foi avançada pelo CEO do grupo, Ralph Mupita, que indicou que o crédito está a tornar-se uma das áreas de maior crescimento dentro dos serviços financeiros e de mobile money da MTN.

O crédito surge como a próxima grande oportunidade

A MTN já disponibiliza serviços de crédito através de parcerias com instituições bancárias. No entanto, o grupo está agora a estudar situações em que poderá fazer sentido obter uma licença que lhe permita captar depósitos e, posteriormente, conceder crédito directamente.

Segundo Ralph Mupita, esta possibilidade está a ser analisada especialmente em mercados onde a MTN possui uma grande base de clientes e volumes significativos de dinheiro mantidos nas carteiras móveis.

A estratégia, contudo, não deverá ser aplicada de forma automática em todos os países onde a empresa opera. A abordagem será selectiva e gradual, tendo em conta os riscos associados à actividade bancária e à concessão directa de crédito

Os planos da MTN fazem parte de uma mudança mais ampla na indústria financeira africana, onde as linhas que separam bancos, operadoras de telecomunicações e empresas fintech estão se tornando menos distintas.

Outros caminhos semelhantes

No Quênia, o M-Pesa da Safaricom foi muito além das simples transferências de dinheiro, disponibilizou pagamentos, poupança, cartões e serviços de crédito. Empresas fintech estão seguindo um caminho semelhante. A Flutterwave obteve uma licença bancária de microfinanças na Nigéria em 2026 e busca desenvolver operações bancárias em outros mercados africanos, incluindo a África Oriental.

Na Costa do Marfim, a Wave fundou o Wave Bank Africa em 2025 com capital de 20 bilhões de Francos e apresentou um pedido de licença bancária que ainda está em análise. A Orange já opera o Orange Bank Africa, enquanto a AXIAN garantiu uma licença nas Comores para lançar uma instituição financeira digital.

A MTN, portanto, está entrando em um mercado onde várias empresas tentam transformar milhões de usuários de dinheiro móvel em clientes para uma gama mais ampla de produtos financeiros, especialmente em segmentos que os bancos tradicionais têm dificuldade em alcançar.

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