O mobile money tornou-se, segundo o “State of the Industry Report on Mobile Money 2026” da GSMA, uma das formas mais baratas de enviar remessas internacionais, mais barato, em média global, do que transferências bancárias (8,81%), numerário (6,92%) ou cartão de crédito e débito (4,68%). O problema é que essa vantagem não se reflecte da mesma forma dentro de África, onde os corredores regionais continuam a ser os mais caros do mundo.

Enviar 200 dólares por mobile money custa, em média, 3,63% a nível mundial — perto da meta de 3% das Nações Unidas. Mas em África Subsaariana esse custo sobe para 8,78%, o mais caro de todas as regiões, um travão directo ao comércio e às remessas entre países vizinhos.
Porque é que enviar dinheiro dentro de África continua caro?
O relatório aponta várias razões estruturais: regras de KYC e licenciamento fragmentadas entre países, conversão cambial limitada, regras de câmbio restritivas e o facto de a maioria dos switches domésticos ter sido concebida para uso dentro de cada país, não para ligações transfronteiriças. O resultado é que corredores Sul-Sul e intra-regionais, sobretudo dentro de África, permanecem menos digitalizados e mais caros do que corredores entre países desenvolvidos e mercados emergentes.
As iniciativas em curso
Vários projectos regionais tentam mudar este cenário. A Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) sublinha a necessidade de sistemas de pagamento interoperáveis para facilitar o comércio. O Pan-African Payment and Settlement System (PAPSS), lançado pela Afreximbank, permite transacções em tempo real entre moedas africanas sem depender de compensação offshore. Em 2025, o Gana e o Ruanda anunciaram a ligação dos respectivos sistemas nacionais de pagamento e um projecto-piloto de “passaporte” de licenças para fintechs um caminho prático para a interoperabilidade ao nível de corredor.
O que está em jogo para Angola?
Angola integra a SADC, uma região com comércio e migração intensos com vizinhos como a RDC, a Zâmbia, a Namíbia e a África do Sul, exactamente o tipo de corredor que a GSMA identifica como sub-explorado. Baixar o custo das remessas para a meta de 3% definida pela ONU poderia poupar às famílias africanas mais de 4 mil milhões de dólares por ano, segundo estimativas citadas no relatório. Para operadoras angolanas, a adesão a plataformas pan-africanas como o PAPSS representa uma via directa para captar parte dessa poupança, reduzindo custos e alargando o alcance dos pagamentos transfronteiriços.

