A MNT Investments B.V., a sociedade holandesa que controla a fintech egípcia MNT-Halan, injectou 4 mil milhões de libras egípcias, cerca de 71 milhões de dólares, na empresa, poucos dias depois da sua estreia na Bolsa do Egipto (EGX), noticiou a Launch Base Africa a 28 de Outubro.
A operação consistiu na subscrição de 163,3 milhões de novas acções da MNT Tech Holding for Financial Investments, a entidade egípcia que opera com a marca MNT-Halan, ao preço da oferta pública inicial (IPO), de 24,50 libras por acção. Segundo as actas do conselho de administração de 26 de Outubro, o capital emitido passa de 160 milhões para 176,3 milhões de libras e a casa-mãe fica com cerca de 80% da empresa.
Uma estreia em bolsa com forte procura
A MNT-Halan entrou em bolsa a 20 de Outubro, com a venda de 320 milhões de acções, equivalentes a 20% do capital, pelo accionista MNT Investments B.V. A operação rendeu cerca de 7,84 mil milhões de libras, perto de 144 milhões de dólares, e foi descrita como a maior entrada na bolsa egípcia, em dólares, desde pelo menos 2021.
A tranche destinada ao público foi subscrita 43,6 vezes, com mais de 41 500 ordens, e a colocação junto de investidores institucionais 11,2 vezes, com mais de 300 investidores de mais de dez países, segundo a sociedade de advogados Gibson Dunn, que assessorou a operação. No primeiro dia, as acções chegaram a subir cerca de 18%.
Como a IPO foi uma venda de acções existentes, as receitas foram para o accionista e não para a empresa. O aumento de capital agora concluído, anunciado durante o processo, devolve recursos à operação.
De aplicação de transporte a líder do crédito não bancário
A MNT-Halan nasceu como aplicação de transporte em tuk-tuks e motorizadas e tornou-se a maior empresa de serviços financeiros não bancários do Egipto, com licenças de microcrédito, crédito ao consumo e nanocrédito, e uma licença de carteira electrónica do Banco Central do Egipto. Segundo a Launch Base Africa, o fundador e presidente executivo, Mounir Nakhla, indicou que mais de metade dos recursos poderá reforçar o balanço no Egipto, com verbas previstas também para a Turquia.
Lições para Angola
A operação junta-se à entrada da nigeriana OPay na Bolsa de Nova Iorque como sinal de que as fintechs africanas começam a recorrer ao mercado de capitais. O caso egípcio mostra que uma bolsa local pode atrair investidores internacionais quando o mercado cambial é previsível — uma lição relevante para Angola e para a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).
Fontes: Launch Base Africa; Gibson Dunn; The Condia



