Pagamentos digitais em África: A próxima batalha está nas infra-estruturas

Dioko
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Vasily Grigoriev, vice-presidente executivo e diretor-geral da BPC.

A expansão dos pagamentos digitais em África está a colocar um novo desafio à banca e às fintechs: modernizar as infra-estruturas que permitem processar transacções, integrar serviços e desenvolver novos produtos sem exigir a substituição completa dos sistemas existentes.

A questão está no centro da estratégia da BPC, empresa suíça de tecnologia financeira que pretende alargar a disponibilidade das suas soluções a mais mercados africanos, reforçando as parcerias com instituições financeiras.

Em declarações à ITWeb Africa, durante a conferência de clientes da empresa, realizada na Cidade do Cabo, Vasily Grigoriev, vice-presidente executivo e director-geral da BPC, afirmou que a estratégia passa por disponibilizar a tecnologia e a plataforma da empresa em todos os países do continente.

Modernizar sem reconstruir os sistemas bancários

Um dos principais argumentos da BPC é que os bancos africanos podem aproveitar melhor as infra-estruturas de pagamentos existentes para introduzir novos serviços digitais, evitando os custos associados à substituição integral dos sistemas.

A empresa aponta como possibilidades a criação de planos de pagamento em prestações adaptados aos clientes e a utilização mais aprofundada dos dados das transacções para desenvolver serviços financeiros. A plataforma SmartVista constitui o núcleo desta estratégia, integrando soluções de processamento de pagamentos, banca digital e outros serviços complementares.

Segundo a BPC, a tecnologia SmartVista presta apoio indirecto a mais de 400 instituições financeiras adicionais no Médio Oriente e em África, através das suas plataformas e parcerias.

A abordagem reflecte uma tendência importante para o sector: a capacidade de inovar depende não apenas das aplicações disponibilizadas aos clientes, mas também da qualidade, integração e flexibilidade dos sistemas que sustentam os pagamentos.

Fintechs e bancos podem ser parceiros tecnológicos

Num mercado em que bancos tradicionais, operadores de dinheiro móvel e startups financeiras disputam clientes, a BPC defende um modelo de colaboração com os diferentes intervenientes.

Grigoriev considera que a empresa funciona como parceira tecnológica, disponibilizando ferramentas que permitem a outras organizações desenvolver actividades no sector financeiro digital.

Este modelo pode reduzir algumas barreiras técnicas à entrada de novos operadores, sobretudo quando estes não dispõem de recursos para desenvolver, de raiz, sistemas de processamento de pagamentos, banca digital e gestão de transacções.

No entanto, a disponibilidade de tecnologia não elimina todos os obstáculos. A integração com os sistemas existentes, os requisitos regulamentares, a segurança, os custos de implementação e a capacidade de manutenção continuam a ser factores determinantes para o sucesso de qualquer projecto.

O que esta tendência significa para Angola

A experiência descrita pela BPC levanta questões relevantes para o mercado angolano, onde os pagamentos electrónicos e os canais digitais têm vindo a ganhar importância.

A prioridade não deve ser apenas aumentar o número de aplicações financeiras, mas garantir que os diferentes sistemas conseguem comunicar entre si, processar transacções de forma segura e oferecer serviços fiáveis a bancos, empresas e consumidores. Neste contexto, a modernização das infra-estruturas, a interoperabilidade e a integração através de interfaces de programação de aplicações (APIs) podem facilitar o desenvolvimento de novos serviços financeiros.

Existe igualmente espaço para explorar pagamentos digitais em sectores como os transportes, o comércio, os serviços públicos e as pequenas empresas. Estas aplicações exigem, contudo, estudos de viabilidade, parcerias locais e modelos que considerem os custos de implementação e a realidade dos utilizadores.

A estratégia de expansão anunciada pela BPC não significa, por si só, que a empresa tenha confirmado uma entrada ou um projecto específico em Angola. A sua abordagem constitui, antes, um exemplo de como os fornecedores de tecnologia procuram responder às necessidades de modernização dos mercados africanos.

Fonte: ITWeb Africa

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