O Banco de Cabo Verde (BCV) identificou 46 projetos ou soluções de base tecnológica em curso ou previstos para os próximos dois anos no setor financeiro do país, de acordo com o Estudo de Caracterização das Iniciativas Fintech em Cabo Verde, divulgado em Dezembro de 2025. É a primeira vez que o banco central cabo-verdiano realiza um levantamento deste género.
O estudo resulta de um inquérito online conduzido entre 4 de Dezembro de 2024 e 4 de Maio de 2025, dirigido a dois públicos distintos: por um lado, instituições de crédito, de microfinanças, de pagamento e de moeda electrónica (agrupadas no relatório sob a sigla PSP, prestadores de serviços de pagamento); por outro, entidades fintech, isto é, empresas cujo modelo de negócio assenta na criação de soluções tecnológicas para o sector financeiro.
Dos 46 projetos identificados, 39 foram indicados por 12 PSP e 7 por 5 entidades fintech. Em mais de metade dos casos analisados, o valor médio por projeto não ultrapassa os 50 milhões de escudos, equivalente a 482.168.000 (Quatrocentos e oitenta e dois milhões cento e sessenta e oito mil Kwanzas) no câmbio do Banco Nacional, um valor que o BCV considera “relativamente baixo”, já que a maioria das entidades inquiridas tem um volume de negócios anual superior a mil milhões de escudos.

Os pagamentos e a autenticação de operações destacam-se como as áreas mais visadas pelos projectos, tanto para os PSP (83% e 75% das respostas, respetivamente) como para as fintech (80% em ambos os casos). Em termos de tecnologia, as interfaces de programação de aplicações (API) e a inteligência artificial lideram como as ferramentas mais utilizadas pelos PSP (91% e 82%), ao passo que as fintech dão também grande destaque à computação em nuvem (cloud computing) e à biometria (ambas com 80% a 100% das respostas).
Quanto ao modelo de negócio, a maioria dos PSP (76%) enquadra-se no modelo B2C (business-to-consumer), prestando serviços financeiros diretamente ao cliente final, enquanto as fintech privilegiam sobretudo o modelo B2B (80%), fornecendo soluções tecnológicas a outras empresas e instituições financeiras. Para desenvolver os seus projetos, 73% dos PSP recorrem à constituição de parcerias comerciais; já as entidades fintech indicam, todas elas, desenvolver as suas soluções com recursos próprios, ainda que a maioria (75%) recorra também a parcerias comerciais para o efeito.

