Literacia financeira digital: a lição do Quénia com GSMA, Safaricom e Visa

Dioko
Leitura de 3 min

A baixa literacia digital e financeira é, segundo o “State of the Industry Report on Mobile Money 2026” da GSMA, um dos principais obstáculos a uma maior inclusão financeira, incluindo a adopção de crédito, poupança e seguros ligados ao mobile money. Sem perceber como estes serviços funcionam ou quais os seus benefícios, muitos utilizadores evitam-nos por completo, ou usam-nos sem tirar o máximo partido do que oferecem.

Em 2025, a GSMA lançou, em parceria com a Visa e a Safaricom, um projecto-piloto no Quénia para testar o impacto de intervenções direccionadas de literacia financeira digital (DFL). A Safaricom disponibiliza a plataforma de distribuição através da sua super app M-PESA; a GSMA contribui com desenho, coordenação e aprendizagem do seu trabalho com operadoras de mobile money em todo o mundo; a Visa fornece um conjunto abrangente de recursos de educação financeira.

Quem é o público-alvo?

O piloto focou-se sobretudo em grupos historicamente marginalizados da economia digital do Quénia: mulheres, residentes em zonas rurais e adultos mais velhos os grupos mais afectados por baixos níveis de literacia digital, e que por isso enfrentam barreiras sociais e económicas adicionais ao uso eficaz do mobile money.

Os objectivos do piloto incluem melhorar o conhecimento e as competências dos utilizadores para usar serviços financeiros digitais com segurança, aprofundar o uso do mobile money entre comunidades sub-servidas e reduzir a vulnerabilidade à fraude e ao uso indevido.

Fraude: O outro lado da moeda

O tema da literacia digital está directamente ligado à fraude, um dos capítulos mais preocupantes do relatório: a fraude de identidade foi apontada como o tipo mais prevalente no sector (90%), seguida de esquemas de engenharia social (88%), fraude interna (87%), troca fraudulenta de SIM (79%) e cibercrime (60%). Mais de 30% dos adultos na África Subsaariana acreditam já ter recebido mensagens de burla ou extorsão digital.

Operadoras como a M-Pesa, no Quénia, e a Airtel Money, no Ruanda, já recorrem a inteligência artificial e machine learning para detectar padrões de transacção anómalos e antecipar actividade fraudulenta antes que cause dano financeiro, mas a GSMA insiste que tecnologia sozinha não chega sem utilizadores mais informados.

Porque interessa a Angola?

À medida que bancos e operadoras angolanas da Unitel Money ao BFA e ao ATLANTICO, continuam a investir em cartões, contactless e pagamentos digitais, o exemplo queniano sugere que o elo mais fraco não é necessariamente a tecnologia, mas a confiança e a competência digital de quem a vai usar todos os dias. Um programa de literacia financeira digital, ancorado nas próprias apps já usadas pelos clientes, é apontado pelo relatório como um passo replicável para converter acesso em uso seguro e regular e para proteger, ao mesmo tempo, os utilizadores mais vulneráveis à fraude.

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