O dinheiro tokenizado está a conquistar espaço nas operações financeiras das grandes empresas. Uma pesquisa do banco DBS, de Singapura, indica que 88% das organizações inquiridas já implementam ou testam soluções desta natureza.
O estudo mostra que as empresas estão a explorar novas formas de movimentar fundos, gerir a tesouraria e facilitar operações entre diferentes mercados. A tendência acompanha a transformação dos pagamentos empresariais, num contexto de maior complexidade comercial e necessidade de movimentar dinheiro com rapidez.
O relatório The Great Rewiring: Money in a New Order, divulgado a 28 de Outubro de 2026, recolheu respostas de 422 líderes empresariais e financeiros em 11 mercados. As organizações participantes registavam receitas anuais superiores a 500 milhões de dólares.
Os resultados indicam que a tokenização está a ultrapassar a fase de experimentação para algumas empresas. Cerca de dois terços dos inquiridos afirmaram que as suas organizações já utilizavam estas soluções em escala ou em determinadas localizações. Ainda assim, os números devem ser interpretados com cautela. O estudo concentra-se em grandes organizações e não representa necessariamente o comportamento das pequenas empresas ou de todos os mercados mundiais.
Stablecoins lideram a adopção
Entre as soluções analisadas, as stablecoins surgem como o instrumento de dinheiro tokenizado mais utilizado pelos participantes.
Segundo o inquérito, 63% das empresas indicaram utilizar stablecoins. Os depósitos bancários tokenizados surgem em segundo lugar, com 53%, seguidos dos fundos do mercado monetário tokenizados, com 52%.
Estas percentagens não são mutuamente exclusivas. Uma mesma organização pode utilizar ou testar mais do que uma modalidade.
Pagamentos mais rápidos e maior controlo da tesouraria
A procura por dinheiro tokenizado está relacionada com a possibilidade de melhorar diferentes operações financeiras. A distinção é importante porque o termo «dinheiro tokenizado» abrange instrumentos com características, riscos e utilizações diferentes. A sua adopção não significa que todas as empresas estejam a substituir os pagamentos bancários tradicionais por criptomoedas.
Entre os benefícios esperados, 72% dos participantes apontaram melhorias na rastreabilidade e na capacidade de auditoria das operações. Outros 71% esperam pagamentos internacionais em tempo real, enquanto 66% antecipam reforços nos controlos internos e na governação.
A optimização da liquidez da tesouraria foi referida por 65% dos inquiridos. Estes resultados revelam que o interesse empresarial vai além da tecnologia utilizada. As organizações procuram mecanismos que facilitem a gestão de fundos, melhorem a visibilidade das transacções e reduzam obstáculos operacionais.
Empresas diversificam moedas de liquidação
O relatório identifica também uma mudança na forma como as empresas pensam sobre as moedas utilizadas nas transacções internacionais.
Segundo o inquérito, 78% dos participantes afirmaram ter diversificado a dependência das moedas tradicionais de liquidação, passando a considerar ou utilizar várias moedas para apoiar diferentes corredores comerciais.
A tendência está associada à reorganização das cadeias de abastecimento, à procura de novos mercados e à volatilidade cambial. O Sudeste Asiático foi apontado como o principal destino para a expansão internacional das empresas participantes. A região foi referida por 65% dos inquiridos, seguida da Austrália e Nova Zelândia, com 50%, e da Índia, com 45%.
O que esta tendência significa para África e Angola?
Para os mercados africanos, a evolução do dinheiro tokenizado merece acompanhamento, sobretudo pela sua possível aplicação nos pagamentos internacionais, na gestão de liquidez empresarial e na integração entre diferentes sistemas financeiros.
Em Angola, as empresas que realizam operações com parceiros estrangeiros podem beneficiar de soluções que melhorem a previsibilidade dos pagamentos e a gestão dos recursos financeiros. Contudo, a utilidade de cada instrumento depende das condições concretas do mercado, das moedas envolvidas e das regras aplicáveis.
Os resultados do inquérito do DBS não permitem concluir que as empresas angolanas estejam a adoptar dinheiro tokenizado ao mesmo ritmo. Angola não integra os 11 mercados identificados no estudo.
Qualquer aplicação local exigiria uma avaliação das condições regulatórias, da disponibilidade de prestadores autorizados, da segurança das soluções e da possibilidade de converter os activos em meios de pagamento aceites pelas empresas.
Fonte: Investing



