As fintechs estão a ganhar terreno nas transferências internacionais, com custos inferiores aos praticados pelos bancos tradicionais. Um estudo do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) conclui que operadores digitais como Wise e Remitly reduziram significativamente os custos deste tipo de operação.
A investigação também questiona a ideia de que as stablecoins representam, por si só, uma alternativa mais barata. Apesar das vantagens da tecnologia blockchain, as conversões cambiais, as comissões dos intermediários e a falta de liquidez continuam a encarecer algumas operações transfronteiriças.
O estudo, intitulado Competing rails for crossborder payments: banks, fintechs, and stablecoins, foi publicado a 19 de Outubro de 2026. Os investigadores comparam três modelos: transferências bancárias tradicionais, operadores fintech de transferência de dinheiro e operações baseadas em stablecoins.
A análise mostra que a inovação nos pagamentos não depende apenas da tecnologia utilizada. O custo final também resulta das taxas cambiais, dos intermediários envolvidos e da facilidade com que o destinatário consegue converter os fundos na moeda pretendida.
Bancos tradicionais continuam a cobrar mais
As transferências bancárias internacionais continuam a apresentar custos elevados, sobretudo quando envolvem conversões cambiais e comissões de processamento.
Na amostra de operações bancárias analisada, os investigadores identificaram margens cambiais entre 2% e 4,7%. Estes valores surgem antes da inclusão das comissões explícitas das transferências.
A margem cambial corresponde à diferença entre a taxa de câmbio aplicada ao cliente e uma taxa de referência. Mesmo quando os bancos operam com moedas de elevada liquidez, esta diferença pode representar uma despesa significativa.
Numa transferência de 1.000 dólares, por exemplo, uma margem de 2% representa 20 dólares. Com uma margem de 4,7%, o custo associado à conversão sobe para 47 dólares, antes de outras comissões.
Este exemplo é meramente ilustrativo e não representa uma tarifa universal. O custo real depende do banco, do montante, das moedas e do corredor de pagamento utilizado.
Para os clientes, a dificuldade está também na transparência. Uma transferência pode apresentar uma comissão aparentemente reduzida, mas aplicar uma taxa de câmbio menos favorável.
Por isso, comparar apenas a comissão anunciada não permite determinar qual é o serviço mais barato. O indicador relevante é o custo total da operação, incluindo conversão cambial, envio, processamento e levantamento ou recepção dos fundos.




