Mastercard lança ferramenta para detectar fraudes em pagamentos com stablecoins

Dioko
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A Mastercard anunciou uma nova solução de segurança para ajudar instituições financeiras a identificar riscos nos pagamentos realizados com stablecoins. A ferramenta combina informações tradicionais sobre pagamentos com análise de dados da blockchain, permitindo avaliar operações antes da sua conclusão.

Designada Stablecoin Security, a solução procura detectar sinais de fraude, burlas, exposição a entidades sancionadas e outras actividades financeiras ilícitas. A empresa apresentou o serviço a 19 de Outubro de 2026, durante a conferência Money20/20 USA, em Las Vegas.

A iniciativa surge numa altura em que as stablecoins ganham espaço nos pagamentos internacionais, nas operações empresariais e na transferência de fundos entre diferentes mercados. Para a Mastercard, o crescimento deste segmento exige mecanismos de controlo capazes de acompanhar a complexidade das transacções digitais.

A empresa lançou a solução com a participação inicial da Borderless.xyz e da Keyrails, duas empresas ligadas à sua iniciativa Start Path Blockchain and Digital Assets. A disponibilidade comercial começa na América do Norte, enquanto a expansão mundial está prevista para 2027.

Como funciona a Stablecoin Security?

A nova ferramenta utiliza uma interface de programação de aplicações, conhecida como API, para integrar a análise de risco nos sistemas existentes das instituições financeiras.

Através desta integração, o serviço analisa vários indicadores relacionados com cada pagamento. Entre eles estão a origem dos fundos, o contexto da transacção, possíveis ligações a entidades restritas e sinais associados a burlas.

Com base nessa informação, a plataforma gera inteligência sobre o risco e atribui uma classificação antes da conclusão do pagamento. As instituições podem utilizar esse resultado nos seus processos de prevenção de fraude, conformidade regulatória e gestão de casos.

A abordagem permite que bancos e outros operadores avaliem uma transacção antes de autorizarem a movimentação dos fundos. Quando surgem indicadores de risco, a instituição pode decidir se deve prosseguir, solicitar uma verificação adicional ou encaminhar a operação para análise.

A Mastercard não apresenta a ferramenta como uma garantia absoluta contra fraudes. A solução fornece informação para apoiar decisões, mas a sua eficácia depende da qualidade dos dados, dos controlos implementados e da forma como cada instituição utiliza os resultados.

Outro aspecto relevante é a integração com os sistemas existentes. Em vez de exigir uma estrutura operacional completamente separada para as stablecoins, a empresa pretende incorporar a análise nos processos que as instituições já utilizam para gerir riscos financeiros.

Porque é necessário reforçar a segurança das stablecoins?

As stablecoins são activos digitais concebidos para manter um valor relativamente estável em relação a outro activo, normalmente uma moeda fiduciária como o dólar norte-americano.

Estes instrumentos permitem transferir valor através de redes blockchain e podem apoiar pagamentos internacionais, liquidação de operações comerciais e gestão de liquidez. Contudo, a sua utilização também apresenta desafios de segurança e conformidade.

Uma transferência tradicional entre duas partes pode parecer simples. No entanto, uma operação com stablecoins pode envolver vários endereços, carteiras, intermediários e movimentos sucessivos entre diferentes serviços.

Esta complexidade dificulta a análise da origem dos fundos e a identificação de possíveis ligações a actividades ilícitas. Uma instituição que observe apenas o movimento final pode não dispor de informação suficiente para compreender todo o percurso do dinheiro.

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