O risco operacional associado a perdas de negócio, de imagem ou financeiras é identificado por 80% dos prestadores de serviços de pagamento (PSP) inquiridos pelo Banco de Cabo Verde (BCV) como o principal risco que a generalização de soluções fintech representa para a estabilidade financeira do país. Os dados constam do Estudo de Caracterização das Iniciativas Fintech em Cabo Verde, divulgado pelo banco central em Dezembro de 2025.
Logo a seguir surge a prestação de serviços transfronteiriços (cross-border), referida por 60% dos PSP, e depois um conjunto de riscos todos com o mesmo peso relativo (53% das respostas): danos reputacionais ou de conduta, cibercrime, avaliação de risco de crédito e concorrência por parte de entidades não reguladas. A proteção de dados e os custos com tecnologias de informação são apontados por 47% das instituições.

Questionados sobre a forma como estes riscos se poderão materializar, os PSP apontam sobretudo a perda de clientes (87% das respostas) e a perda de rentabilidade (73%), seguidas dos danos reputacionais e do aumento do risco de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo (53%, em ambos os casos). Para mitigar estes riscos, as instituições elegem o investimento em novas tecnologias (93%) e o desenvolvimento de sandboxes regulatórias e hubs de inovação (86%) como as ações mais eficazes.
O estudo do BCV identifica ainda a cibersegurança como uma das principais fontes de disrupção digital do setor: a par dos novos modelos de negócio e da utilização de canais digitais pelos clientes, tanto os PSP (56%) como as fintech (80%) apontam a cibersegurança entre os fatores que mais deverão condicionar o setor financeiro cabo-verdiano nos próximos tempos. No plano da relação com o cliente, 87% dos PSP identificam a baixa literacia digital dos consumidores como o principal desafio à adoção de novas tecnologias, seguida da desconfiança dos próprios consumidores (53%).

