O capítulo dedicado ao fosso de género no “State of the Industry Report on Mobile Money 2026” baseia-se num inquérito da GSMA a dez países, seis deles africanos: Egipto, Etiópia, Gana, Quénia, Nigéria e Uganda. A análise da GSMA à Global Findex Database mostra que as mulheres em países de rendimento baixo e médio tinham, em 2024, 36% menos probabilidade do que os homens de ter uma conta de mobile money, uma subida face aos 30% registados em 2021.

A boa notícia: Nigéria
Nem tudo é negativo. A Nigéria registou a melhoria mais significativa entre os países inquiridos: o fosso na posse de conta caiu de 46% em 2023 e 41% em 2024 para 25% em 2025, com a posse de conta entre mulheres a subir 21 pontos percentuais num só ano. É uma contra-tendência num relatório onde, no ano anterior, quase todos os mercados inquiridos tinham registado pouca ou nenhuma melhoria.
No Egipto, o fosso na posse de conta também recuou, de 58% para 40%, com ganhos de 10 e 12 pontos percentuais para mulheres e homens, respectivamente.
No Paquistão, o fosso na posse de conta chega aos 63%, apenas 13% das mulheres têm conta, contra 35% dos homens. Na Etiópia, onde o mercado de mobile money ainda é incipiente, o fosso é de 56%, com taxas de adopção de apenas 13% entre mulheres e 29% entre homens.
Mesmo nos três mercados africanos mais maduros do inquérito do Gana, Quénia e Uganda, onde a posse de conta é quase igual entre homens e mulheres, o fosso reaparece no uso regular: as mulheres continuam a usar menos tipos de transacção e com menos frequência do que os homens ao longo de sete dias, mesmo quando ambos têm conta activa.
As barreiras que se repetem
Falta de conhecimento sobre o funcionamento do serviço, preferência pelo numerário, normas sociais restritivas e menor acesso a telemóvel próprio surgem, de forma consistente, como as principais barreiras reportadas por mulheres em quase todos os países inquiridos. Angola não faz parte da amostra deste inquérito, mas a lista de barreiras é praticamente universal e é o roteiro que operadoras e reguladores angolanos podem seguir ao desenhar campanhas de literacia digital e redes de agentes mais inclusivas.

