O “State of the Industry Report on Mobile Money 2026“, publicado pela GSMA, confirma uma subida de categoria para Angola no Mobile Money Prevalence Index (MMPI) , o indicador que a associação global de operadoras móveis usa para medir até que ponto o mobile money está, de facto, a chegar à população de um país.

Angola junta-se a Chade, Djibuti, El Salvador, Irão, Malásia, Marrocos e Ilhas Salomão no grupo de países que subiram de “baixa” para “média” prevalência entre 2024 e 2025. É um movimento que, à escala global, também se reflecte nos números: os países classificados como “baixa” ou “muito baixa” prevalência caíram de 50 para 42, enquanto os que atingem “média”, “alta” ou “muito alta” subiram de 52 para 60.
Como se mede a prevalência
O MMPI combina três componentes através de uma média geométrica: a taxa de penetração de contas activas na população adulta, a proporção de contas activas a 90 dias sobre o total de contas registadas, e a densidade da rede de agentes por cada 100 mil adultos. Nenhum destes factores compensa isoladamente um mau desempenho nos outros para subir de categoria, um mercado precisa de progresso mais ou menos equilibrado nos três.
É por isso que a subida de Angola é relevante: não reflecte apenas mais contas registadas, mas uma combinação de maior utilização efectiva e melhor cobertura de agentes no terreno.
Onde Angola se insere
No relatório, o país aparece associado à Unitel Money como serviço de mobile money activo, integrado no conjunto de mercados da África Central que a GSMA acompanha separadamente. Essa região somava, em 2025, 20 serviços de mobile money em funcionamento, 128 milhões de contas registadas (mais 20% do que em 2024) e 39 milhões de contas activas a 30 dias (mais 19%), movimentando 7 mil milhões de transacções no valor de 105 mil milhões de dólares — um crescimento de 21% em valor num só ano.
É um contexto regional em expansão, mas ainda a meio caminho: a África Central continua a ser a região do continente com menos serviços activos e menor densidade de contas por habitante, atrás da África Oriental e da África Ocidental.
O que significa subir de categoria?
Passar de “baixa” para “média” prevalência não coloca Angola entre os mercados mais maduros do continente, esse grupo, classificado como “alta” ou “muito alta” prevalência, inclui hoje 39 países, a maioria concentrados na África Oriental e Ocidental. Mas confirma uma trajectória: a rede de agentes está a crescer, a utilização activa está a aumentar, e o mobile money angolano deixou de estar entre os mercados menos desenvolvidos do índice global.
Para operadoras, bancos e reguladores angolanos, a leitura prática é dupla: há progresso mensurável a defender, mas também uma distância clara a fechar até ao nível de mercados de referência na região, algo que passará, segundo o relatório, por continuar a expandir a rede de agentes e por converter mais contas registadas em uso regular.

